"Vou viajar para a Europa, olho o dólar ou o euro?" "Exporto para a Alemanha, qual câmbio importa?" "Guardo dinheiro em qual moeda?" Três perguntas comuns, três respostas diferentes. Dólar e euro não são intercambiáveis, e usar a moeda errada de referência leva a decisões ruins. Vou separar em que situação cada uma manda, sem economês, para você olhar a cotação das moedas com clareza.
Por que o dólar é o rei
O dólar é a moeda de referência do mundo, e não é força de expressão. A maior parte do comércio internacional de commodities (petróleo, soja, café, ouro, minério) é cotada em dólar, independentemente de quem compra ou vende. As reservas dos bancos centrais, incluindo o nosso, são majoritariamente em dólar. É a moeda em que o mundo faz conta. Por isso, quando o assunto é preço de commodity, custo de importação genérica ou a "temperatura" da economia, o dólar é a régua. Ele é o pano de fundo de por que quase todo preço se mexe quando o câmbio dispara, inclusive o do ouro, cotado em dólar por onça.
Quando o euro é que manda
O euro é a moeda de mais de vinte países europeus, e ele domina em situações específicas. Se você negocia com a Zona do Euro (vende ou compra da Alemanha, França, Itália, Portugal, Espanha), o câmbio que fecha o seu contrato é o euro, não o dólar. Se vai viajar para lá, é euro que você vai gastar, e é a cotação dele que define quanto a viagem custa em reais. E parte das reservas e dos investimentos globais está em euro, como segunda moeda mais importante do mundo. Para tudo que tem a Europa na ponta, o euro é a referência certa; olhar o dólar nesses casos é olhar para o lugar errado.

Como as duas se relacionam
Dólar e euro não vivem isolados: existe a paridade euro-dólar (quanto vale um euro em dólares), uma das taxas mais observadas do planeta. Quando o euro se fortalece frente ao dólar, ou o contrário, isso reverbera em tudo. Para o brasileiro, o que chega é o resultado das duas contra o real: o dólar-real e o euro-real. Normalmente eles andam na mesma direção (quando o real se enfraquece, perde para as duas moedas ao mesmo tempo), mas não na mesma intensidade. Comparar as duas cotações lado a lado, como na página de moedas, revela qual está pressionando mais o seu caso.
A taxa oficial: PTAX vale para as duas
Tanto o dólar quanto o euro têm sua taxa comercial, que oscila ao longo do dia, e seu fechamento oficial calculado pelo Banco Central do Brasil, a PTAX. É essa taxa oficial que serve de referência para contratos, balanços e liquidações, e vale para as duas moedas. No nosso site, dólar e euro trazem a cotação comercial ao vivo e o fechamento oficial. Se você precisa de um número "para valer" (declarar, fechar contrato, fazer conta séria), é a PTAX que conta. Sobre essa e outras siglas do mercado, o guia de Cepea, B3 e PTAX ajuda a não se perder.
Viagem: o erro clássico do turista
Muita gente que viaja para a Europa acompanha o dólar por hábito e leva um susto na hora de comprar euro. São moedas diferentes, com cotações diferentes: o euro costuma valer mais que o dólar, e a diferença entre os dois pode pesar no orçamento da viagem. Some ainda o IOF e o spread da casa de câmbio, que encarecem a compra além da cotação de tela. O certo é acompanhar a cotação da moeda que você vai gastar de fato no destino: euro para a Europa, dólar para os Estados Unidos e para boa parte do resto do mundo, onde o dólar é aceito ou serve de base.
E as outras moedas, entram na conta?
Dólar e euro dominam, mas não são as únicas moedas que aparecem no radar de quem acompanha câmbio. A libra esterlina importa para negócios com o Reino Unido; o peso argentino pesa no comércio da fronteira e no turismo com o vizinho; o iuan chinês ganha espaço à medida que a China vira o maior parceiro comercial do Brasil. Ainda assim, para a esmagadora maioria das decisões do dia a dia, essas moedas são coadjuvantes: o preço da commodity e da importação genérica continua ancorado no dólar. Acompanhar uma cesta de moedas ajuda a ler o quanto o real está forte ou fraco no geral, não só contra uma delas. Se o real cai contra todas ao mesmo tempo, o problema é de casa; se cai só contra uma, o problema é de lá.
Para quem só quer entender os preços do dia a dia
Se o seu interesse é o preço da comida, do combustível e das commodities no Brasil, a resposta é simples: acompanhe o dólar. É ele que reprecifica a soja, o café, o combustível e a maior parte da cesta. O euro é importante, mas para um brasileiro médio que não negocia com a Europa nem vai viajar para lá, ele é mais um indicador de contexto do que um número de decisão. Guarde a régua certa para cada pergunta e você nunca mais vai olhar a moeda errada na hora que importa.


