O calendário de safra é a forma mais direta de antecipar preço no campo. A lógica é a mesma para o grão, a fruta e a hortaliça: quando a colheita entra forte, muito produto chega ao mercado ao mesmo tempo, a oferta cresce e o preço tende a cair. No pico da colheita esse peso é maior. Depois, com o estoque escoando, a oferta diminui e a entressafra costuma trazer preços mais firmes.
Abaixo você vê, para cada cultura, a época de plantio, a de colheita e o pico da safra na principal região produtora, além de uma leitura de como aquele momento costuma influenciar a cotação. As datas são uma referência das principais cidades; o Brasil é continental e o clima desloca o calendário de uma região para outra.
Nenhuma cultura com esse nome.
Grãos, cereais e oleaginosas
No pico da colheita (fev-mar) a oferta abundante pressiona o preço para baixo.
Com a entrada da safrinha (jun-ago) a oferta cresce e o preço tende a recuar.
As três safras anuais distribuem a oferta e amenizam os picos, mas entressafras curtas encarecem o grão.
Na colheita do Sul (out-nov) a oferta nacional cresce e pressiona o preço.
A colheita concentrada no inverno (jul-ago) amplia a oferta de pluma e pesa no preço.
Colhido no meio do ano como safrinha, o sorgo se valoriza quando o milho encarece.
A oferta se concentra na primavera do Sul, quando o preço tende a aliviar.
A colheita de primavera aumenta a oferta e costuma ceder preço, acompanhando o óleo de soja.
No pico da colheita do arábica (jun-ago) a oferta cresce, mas a bienalidade alterna anos de alta e baixa no preço.
Frutas
Colhido quase o ano todo, com pico da safra principal entre out e jan, quando a maior oferta tende a ceder preço.
No auge da safra (jul-out) a oferta abastece a indústria de suco e o preço da fruta tende a recuar.
A colheita de verão na Serra Gaúcha concentra a oferta e pressiona o preço da uva de mesa.
Colhida o ano inteiro, tem preço mais firme no frio e mais fraco no calor, quando a oferta cresce.
Com irrigação o Vale produz o ano todo; nos picos de safra a maior oferta reduz o preço.
A produção contínua o ano todo mantém o preço estável, com leve alívio no verão.
A colheita de verão (dez-fev) inunda o mercado e derruba o preço.
O pico da safra nordestina no fim do ano, voltada à exportação, amplia a oferta interna e alivia o preço.
A maior oferta no calor (dez-fev) tende a baixar o preço, que sobe na entressafra fria.
Hortaliças
Com colheita escalonada o ano todo, o preço dispara nas chuvas de verão e cede na safra de inverno.
As três safras cobrem o ano; na safra de inverno (jul-set) a maior oferta tende a baratear o tubérculo.
A oferta nacional cresce no segundo semestre e cede preço; a entressafra do início do ano encarece o bulbo.
A safra de inverno (jul-set) traz maior oferta e melhor qualidade, com preço mais baixo que nas chuvas de verão.
A colheita nacional na primavera aumenta a oferta, mas a concorrência do alho importado é quem baliza o preço.
Cana e outros
Durante a moagem do Centro-Sul (abr-nov) a oferta de açúcar e etanol cresce e influencia os preços.
Safra e preço: a relação que move o mercado
Oferta e demanda decidem o preço, e a safra é o grande gatilho da oferta. Num produto sazonal como a soja ou o trigo, a colheita se concentra em poucos meses: nesse período o mercado fica cheio, os armazéns enchem e a cotação recua. Em culturas colhidas o ano todo, como a banana e o mamão, a variação é mais suave, mas ainda existe, a fruta fica mais barata no calor, quando a produção acelera, e mais cara no frio.
A entressafra é o outro lado da moeda. Com a colheita encerrada e os estoques diminuindo, a oferta aperta e quem precisa comprar disputa um volume menor: o preço sobe. Por isso o calendário de safra é uma ferramenta de decisão, e não só de curiosidade, ele ajuda o produtor a escolher a hora de vender e o comprador a antecipar a alta antes que ela chegue.
Perguntas frequentes
O que é o calendário de safra?
Por que o preço tende a cair na colheita?
As datas valem para o Brasil inteiro?
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Épocas de plantio e colheita das principais regiões produtoras, compiladas pela nossa equipe a partir dos calendários agrícolas de referência. São datas indicativas: clima, região e manejo deslocam o calendário. Valores e cotações são informativos.